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Quatro passos para os executivos resistirem às adversidades

Especialista cria ritual de ações para profissionais lidarem com dificuldades e focarem em resultados

Fonte: Revista IncorporativaTags: empresariais

Crises financeiras, chefe exigente, voos atrasados, mudanças em projetos, computador lento. De grandes a pequenas adversidades, todo ser humano está vulnerável a passar por situações inesperadas, seja no cotidiano ou em longos períodos, em que é necessário se concentrar e saber como proceder. No mundo corporativo, há um conceito utilizado para explicar essa capacidade de superação do indivíduo: a resiliência.

Conceito emprestado da Física, em que resiliência é a capacidade que alguns materiais apresentam de voltar à sua forma original após serem submetidos à tensão máxima, é bem empregado ao ser humano por sua capacidade de enfrentar experiências avassaladoras e recuperar-se frente às adversidades.

Para o especialista Antonio Luis Staut, indivíduos, gestores ou não, podem fortalecer sua resiliência e a de seus colaboradores, ao rever sua forma de encarar a adversidade. Para isso, desenvolveu o RARA – Ritual de Ações para Resistir às Adversidades. “Quando experimentamos um episódio difícil, a maioria das pessoas assume rapidamente suas causas, suas proporções, suas consequências e sua duração. Por exemplo, decidimos instantaneamente se era inevitável ou se poderíamos de alguma forma o ter prevenido. Os indivíduos, gestores ou não, precisam mudar esse tipo de pensamento ‘reflexivo’ por um pensamento ‘ativo’ e enfrentar a melhor maneira de responder à situação”, explica.

De acordo com o especialista, é necessária uma mudança para que o indivíduo consiga superar as adversidades e focar em resultados. Para isso, há quatro lentes do pensamento resiliente, as quais, em seu conjunto, definem o RARA. 

Quatro passos - RARA:

1 - Lente de controle: as reações do ser humano a situações estressantes dependem, em sua maioria, do controle que ele acredita poder exercer. Aplicar o RARA poderá auxiliar na identificação de formas de exercer o controle sobre os fatos que ocorrerão.

2 - Lente de impacto: A crença sobre o que causou o evento negativo está diretamente relacionada com a capacidade de administrá-lo. É um problema pessoal ou de outra origem? Em lugar de cair em desilusão e assumir a posição de vitima, a pessoa / o gestor deve focar toda sua atenção em planejar alguma forma de controlar / alterar o resultado do evento.

3 - Lente de alcance: Quando o indivíduo enfrenta uma adversidade, tende a assumir que suas causas são próprias da situação ou de espectro mais amplo, como se fosse um veneno que contamina tudo o que toca. Para construir resiliência, as pessoas / os gestores têm que deixar de se preocupar com o alcance das causas, para se concentrar em como limitar os danos.

4 - Lente de duração: Alguns infortúnios no ambiente de trabalho parecem não ter fim – baixo rendimento trimestre pós trimestre, enfrentamentos recorrentes entre pessoas de níveis diferentes, em diversas áreas da organização, uma economia estagnada, etc. As perguntas sobre duração, presentes no RARA, funcionam como freios para tais ocorrências. No caso, é importante começar projetando-se o resultado desejado.

Cada lente corresponde a um passo para resistir à adversidades, e, dentro de cada passo, uma espécie de roteiro com indagações para que o indivíduo pense e saiba o que fazer frente à adversidade. Para auxiliar na reação positiva diante de um obstáculo, há três classes de perguntas: específicas, de visualização e de colaboração. 

O executivo deve responder a perguntas como: 

1 - Específica: Quais aspectos da situação posso influenciar diretamente para alterar o curso do evento adverso ?

2 - Visualização: Qual o efeito positivo de minha ação sobre as pessoas envolvidas?

3 - Colaboração: O que podemos fazer, individualmente e de forma coletiva, para conter os danos e transformar a situação em oportunidade?

Ao se fazer essas classes de perguntas, pode-se ajudar a esclarecer cada uma das quatro lentes do pensamento resiliente. Porém, simplesmente perguntar não basta. “A pessoa não se tornará mais resiliente porque teve contato com este ritual e fez anotações mentais para lembrar essas mesmas perguntas frente a um novo desastre. É necessário os próximos passos do RARA, o que o faz uma ferramenta diferenciada”, comenta Staut. 

Fases difíceis

Como exemplo, um profissional que se encontra em um momento de transição de carreira muitas vezes percebe-se sem alternativas, imaginando que esse processo é autodestrutivo, que jamais irá retornar com brios à sua posição anterior. Para Lia Fonseca, diretora da PRO Outplacement, quando se fala em resiliência, torna-se necessário ter jogo de cintura para saborear as adversidades e não somente driblá-las, mas também aprender com esses momentos e, quem sabe, conquistar algumas vitórias até então desconhecidas. “Com a prática dos exercícios propostos pelo RARA, o profissional tem a chance de exercitar seu grau de influência sobre muitos ‘transtornos’ trazidos pelo mercado macro e microeconômico, direcionar esforços para o alcance dos resultados que deseja alcançar e alastrar seu processo de autoconfiança de forma a manter a gestão de sua carreira em suas próprias mãos”, finaliza a diretora da PRO Outplacement.

Escrever é importante para o domínio da situação 

Para obter resultados, o indivíduo precisa saber as respostas das perguntas e como agir no momento de um obstáculo. Para isso, faz-se necessário interiorizar as perguntas e respondê-las, antes mesmo de uma adversidade. Escrever dá um domínio sobre uma situação adversa que apenas o pensar não consegue fazer, sendo mais eficaz tratar o ritual de resiliência como um exercício de tempo controlado. O exercício, por mais que pareça longo perto da correria do dia a dia, será curto perto do tempo economizado quando sob pressão, pois você terá soluções prontas para serem colocadas em prática.